Essa foi a avaliação de uma das disciplinas do curso de especialização. Como ela foca exatamente a minha pesquisa resolvi postá-la como uma maneira a mais de as pessoas conhecerem o meu estudo. Aguardo considerações e críticas. E HAPPY NEW YEAR !!!!
Responda às três questões abaixo propostas tendo em vista o momento atual da
execução de seu projeto de pesquisa.
Redija suas respostas na 1ª pessoa do singular. Deixe o EU falar, ok? Boa reflexão!
1- O que é a sua pesquisa?
Minha pesquisa tem como foco o uso do gênero cartas de aconselhamento na sala de aula de língua estrangeira. Ela se estrutura nos estudos de gêneros textuais e na importância deste conhecimento para o ensino de língua com fins específicos com foco na leitura.
O estudo de gêneros textuais mostra que os textos têm formatação e objetivos específicos em função dos gêneros a que pertencem e essa característica é muito relevante para o aluno de língua estrangeira. Na abordagem para fins específicos com foco na leitura, o aluno é levado a formular hipóteses sobre a mensagem do texto em função de elementos não verbais como figuras, uso de itálico e negrito, título e subtítulos, gráficos, cores; enfim, todas as características visuais que, de alguma forma, ajudam o leitor no momento da compreensão do texto.
A pesquisa, além do seu referencial teórico, também fará sugestões sobre atividades que podem ser aplicadas na sala de aula de língua estrangeira visando mostrar como o conhecimento sobre determinado gênero contribui para a compreensão de um texto que a ele se filia. O trabalho do aluno para a compreensão da mensagem do texto pode ser muito facilitado se essas características forem valorizadas pelo professor.
2- De que forma ela contribui para a discussão da questão em seu ciclo acadêmico?
O meu estudo contribuirá para a prática em sala de aula de língua estrangeira, especialmente na que utiliza a abordagem com foco na leitura, mas não somente nesse contexto. Professores que utilizem outras abordagens e métodos também podem se utilizar do conhecimento de gêneros textuais e como abordá-lo em sala de aula.
Em uma sequencia didática, por exemplo, o estudo pode ficar muito mais rico se o professor conscientizar o aluno para o fato de que as características do texto não são aleatórias, ou seja, ao escolher escrever um texto, o autor tem várias opções linguísticas e não linguísticas e suas escolhas se pautam também pelas características do gênero. Assim, quando escolhe escrever uma receita, o autor sabe que terá de colocar uma lista de ingredientes, sabe que no modo de preparo utilizará o modo imperativo, sabe que pode colocar uma figura do prato em questão; enfim, essas escolhas do autor também podem ser antecipadas pelo leitor apenas pela identificação do gênero contemplado pelo texto. Logo, o leitor pode formular hipóteses sobre o texto antes de começar a leitura apenas com o conhecimento que detém de gêneros textuais. Essa formulação de hipóteses é uma das estratégias mais valorizadas no ensino de LE na abordagem de fins específicos. A pesquisa pode, dessa forma, contribuir também para cursos de formação de professores.
3- Está clara para você a relevância social do seu trabalho? Explique.
Sim, além de informar o professor sobre a maneira de abordar o conhecimento de gêneros textuais na sala de aula de LE, esse tipo de conhecimento também capacitará o aluno a se tornar um leitor mais proficiente, não apenas em língua estrangeira, mas também em língua materna. Dependendo do nível e da faixa etária em questão, o professor pode utilizar esse conhecimento para estimular o letramento crítico do aluno contribuindo, desse modo, para a formação do cidadão crítico que deve ser o objetivo final da escola.
Um exemplo de como o conhecimento de gêneros textuais, aliado às características linguísticas de cada gênero, pode contribuir para a formação do cidadão crítico é mostrar ao aluno as peculiaridades do discurso político. Os discursos políticos são permeados de orações que usam a voz passiva; o professor pode suscitar a discussão sobre os motivos dessa escolha por parte do falante e trabalhar as características da voz passiva. A voz passiva privilegia a ação em detrimento do sujeito que pratica a ação. Assim, é um discurso menos comprometedor em termos de dar responsabilidade ao autor da ação. Quando o político usa a oração “No meu mandato, mais escolas serão construídas.” ele se exime de qualquer responsabilidade sobre o ato. É um enunciado menos comprometido do que: “No meu mandato eu construirei mais escolas.” Por mais que os dois enunciados pareçam ter valores locucionários semelhantes, já que a diferença está apenas na voz verbal, os sentidos ilocucionários podem ser bem diferentes uma vez que a omissão do agente da passiva, perfeitamente comum e aceitável na voz passiva, tem, na verdade, um intuito menos nobre. Assim, se as escolas nunca forem construídas, o eleitor não poderá dizer que o político não cumpriu sua promessa, já que ele não disse claramente quem faria a ação.
Dessa forma, minha pesquisa vai ao encontro dessa tentativa de inserir o ensino de LE num contexto social muito mais amplo. Eu acredito que o professor de LE não está nessa posição apenas para ensinar a língua, o seu papel tem uma relevância social mais focada na formação do cidadão crítico do que propriamente na formação do cidadão proficiente em determinada LE. O ensino de LE passa pela compreensão da cultura do outro através das marcas que estão na língua e passa pela reflexão sobre a sua própria cultura e valores de sua sociedade. O aluno de LE deve estabelecer correlações entre a sua cultura e a do outro, através também da língua, mas deve também aprender mais sobre sua cultura e, em última análise, sobre si mesmo. É o conhecimento da língua contribuindo para o conhecimento de si mesmo já que, segundo a linguística cognitiva, somos o que falamos e a linguagem contribui para a concepção do real de forma dialógica em que a linguagem constitui e se constitui no real, ou seja, a linguagem informa a realidade da mesma forma que a realidade informa a linguagem.
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